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03/03/2004 22:07
Eu explico minha ausência esses dias. Não, não me entendam mal. Claro que eu não abandonei a flor, nem a náusea. É apenas uma questão prática: continuo no campo minado das tecnologias bélicas da minha casa (hunf =/). Troquei a placa filha da mãe (a expresssão é de Laura, mas eu pago os direitos autorais!). Só que filho da mãe na verdade é o técnico que me roubou! Cobrou uma nota e instalou uma placa defeituosa. E há algumas semanas ele me promete rever a bobagem que fez. Só que claro - eu acredito em carioca tanto quanto em papai noel! A lei do mercado carioca tem suas peculiaridades, a saber: a cláusula da malandragem. Um pouco de civilidade melhoraria as relações de serviço por aqui.
O carnaval foi legal. Dissipei alguns estresses. Saí com meus amigos. Fizemos nossa festa na farme. Fui a dois blocos: o cordão da bola preta e a banda de ipanema. Apesar da saudade do frevo pernambucano, foi bem divertido. Além disso, vimos uns filmes, fomos ao teatro, tomamos uma cachaça mineira com mel na casa da lua e namorei muito. To com saudade do meu amor =*.
Por coincidência estava lendo esses dias um artigo de Dirce Riedel (vocês conhecem?) sobre como alguns personagens do Machado de Assis guardam traços carnavalescosna sua construção: o paradoxo, a paródia, as dissonâmcias, o excêntrico. E fiquei viajando na idéia de como o carnaval é uma festa popular rica, no sentido de resistência mesmo. É tão lugar comum associar essa festa a uma coisa de conformação social, vadiagem e blablablá. Coisa mais medíocre e autoritária. É preciso um olhar muito rude para não ver a beleza do frevo, do samba de raiz. E um humor pouco refinado para não entender a sátira de costumes que o povo compõe espontaneamente nas ruas. Olhar rude, humor pouco refinado... ou então "ruim da cabeça, ou doente do pé" ;).
enviada por Poetisa
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