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05/04/2004 21:31
" É difícil defender, só com palavras, a vida, ainda mais quando ela é esta que vê, severina"
Sim, a citação acima é do João Cabral. E é de uma verdade crua. Alguém discorda? Espero que sim. Não gosto muito das unanimidades. Nem eu, nem o Nelson Rodrigues. Mas aí é outra história. Hoje é sugunda-feira. E confesso que não estou no meu melhor humor. Coisas minhas. Surtos temperamentais. Passa.
É um "meio-surto temperamental". O que é pior. Raiva tem que ser uma coisa intensa, pra passar logo. E nem quero falar nisso. Chega.
Falar de coisas boas.
Em outros aspectos estou muito feliz. Aguardo, ansiosa, a chegada de Deinha, Décio e Duda no Rio. Páscoa bem família, muito legal =). Levar a pequena (dudinha, minha sobrinha) ao teatro; tomar um chope em ipanema e tal. Vai ser divertido.
Tive um fds ótimo, ao sabor mineiro: Juiz de Fora.
Lugar que merece uma homengem aqui. Virá na hora certa.
Um poema do João. Hoje estou assim: muito João Cabral de Melo Neto. Sem guarda-chuva.
A Carlos Drummond de Andrade
Não há guarda-chuva
contra o poema
subindo de regiões onde tudo é surpresa
como uma flor mesmo num canteiro.
Não há guarda-chuva
contra o amor
que mastiga e cospe como qualquer boca,
que tritura como um desastre.
Não há guarda-chuva
contra o tédio:
o tédio das quatro paredes, das quatro
estações, dos quatro pontos cardeais.
Não há guarda-chuva
contra o mundo
cada dia devorado nos jornais
sob as espécies de papel e tinta.
Não há guarda-chuva
contra o tempo,
rio fluindo sob a casa, correnteza
carregando os dias, os cabelos.
João Cabral de Melo Neto
enviada por Poetisa
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