A Flor e a Náusea

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24/04/2004 01:52
Melancolias me espreitam. Nostalgias – para ser mais precisa. Hoje recebi o convite de formatura da minha (ex) turma de Direito. Fotos, nomes, histórias: um mundo de memórias, renúncias, delícias, descobertas. Reflexões. É lindo ver meus colegas se formando. E é estranho não estar entre eles. Não, não me arrependo das escolhas que fiz. Mas a partir do momento em que eu não repensar minhas decisões, podem ter certeza que eu surtei. É meu movimento: preciso rever, me autoquestionar, imaginar outras possibilidades.

Hoje estou passeando por lembranças, e percebendo o quanto minha convivência com essas pessoas e com esses sonhos (que eles estão agora realizando) me fizeram ser quem sou hoje. Para quem não sabe: tranquei a matrícula de direito no terceiro ano, quando me formei em jornalismo e resolvi vir fazer mestrado aqui no Rio. Deixei, claro, um caminho, e com ele alguns velhos mitos. E não é fácil se desfazer dessas coisas. Acho que fiz bem, o melhor pra mim. Pelo menos do meu ponto de vista hoje. Mas algumas emoções se machucam nessas perdas. E faz parte da renúncia doer um pouco, adivinhar como eu estaria se tivesse escolhido outra via. E se eu estivesse entre aqueles rostos ali, de grandes amigos? Lembrei de nossas festinhas no primeiro ano. O convívio bar: camarão à romana, cerveja geada, denis e dudu brigando pelo violão. Os churrascos na casa de vital. E tucha (ébrio, claro) chorando porque nunca vai poder tomar uma com Vinicius de Moraes! Os professores faltosos. O relógio da torre parado. E nossos sonhos se misturando às normas borradas em códigos antigos. As histórias hilárias. As farrinhas lá em casa. E paloma bêbada : “vcs estão ouvindo o que eu to falando? porque eu não to..!” Frase clássica,sempre relembrada em todas as cachaças seguintes. Dudu cantando seu hino da época: “eu não caibo mais nas roupas que eu cabia...tantos anos se passaram enquanto eu dormia...”. Histórias de um tempo. Não caibo em alguns velhos sonhos, mas parte deles estão aqui comigo: nas escolhas que faço, nos equívocos, nos receios, nos silêncios e nos discursos. Não seria quem sou hoje se não tivesse experimentado esses projetos e convivido com esses amigos. E feito algumas renúncias. Porque há muita, muita paixão na renúncia. É preciso ênfase e emoção para negar. Sobretudo se você nega o que já foi uma escolha. Tenho paixão por essas pessoas, por essa história. E, claro, por esse curso: deve ter sido, decerto, um dos melhores enganos. A vocês, amigos, eu desejo paixão. Para afirmar o que eu neguei. E faze-lo do modo mais lindo possível. Gostaria de estar no baile nesta noite, tão importante para mim quanto para vocês. Sejam, sobretudo, felizes. A cada ano, a cada sol, a cada conquista. Obrigada, viu. E obrigada sobretudo a Kati que mandou o convite para mim e pra Kaly com uma dedicatória muito fofa. Amo vocês!

***

ps: estou lisonjeada porque descobri hoje que “nietzsche" perde seu tempo lendo essas bobagens aqui. vejam vocês: meu guru. descobri que a internet é capaz de milagres. tim-tim, nietzsche: às mulheres. espectrais ou substanciosas. (vide comment no post anterior)

enviada por Poetisa






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